Famílias destinam em média quase um terço de sua renda com habitação
Apesar de contraindicado por especialistas, despesas com aluguel estão entre as que mais apertam o bolso dos paulistanos de acordo com dados do IBGE
A Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo IBGE em 2018, revela que paulistas que pertencem a pelo menos quatro de sete faixas médias salariais no Estado – entre R$ 954 e R$ 9.540 – dedicam mais de 30% de sua renda mensal, o recomendado para gastos com habitação.
A diretora comercial da Lello Imõveis, Roseli Hernandes, em entrevista ao UOL Economia, reforça que "esse é o limite ideal para que o inquilino possa pagar as despesas da locação nos 30 meses do contrato".
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Habitação por faixa salarial
O IBGE define como gasto em habitação a soma de aluguel, condomínio e taxas, como o IPTU
Famílias que ganham até R$ 2.862 – equivalente a três salários mínimos em 2018 – recebem destaque na pesquisa. Elas desembolsam pouco mais de 40% com essa categoria
Mesmo famílias que ganham até 10 salários mínimos, R$ 9.540 , gastam pouco mais do recomendado, cerca de 30,57%
Apesar de não ultrapassar os 30% recomendados, famílias que têm a renda superior a 10 salários mínimos, R$ 9.540, chegam muito perto do limite quando o assunto é moradia
Apenas quem tem renda acima de 15 salários mínimos, R$ 14.310, consegue folga nos gastos com habitação
Luciene Jesus Silva tem um horário de expediente diferente da maioria dos paulistanos. Entra às 20h da noite na empresa em que trabalha na Zona Norte de São Paulo como auxiliar de limpeza, e só sai quando os pássaros começam a cantar, por volta das quatro da manhã.
Com 47 anos, é casada e já tem uma neta de três anos. Todos moram sob o mesmo teto em uma casa alugada. Luciene relembra que antes da casa atual, a família morava em uma comunidade. Ela e o marido preferiram vender o antigo lar e partir para um aluguel.
Com uma renda familiar de cerca de quatro salários mínimos, Luciene diz que todos em casa ajudam nas contas. Cada um tem sua responsabilidade. O filho de 24 anos, que trabalha como jovem aprendiz, paga a conta de luz da casa e a pensão para a filha de três anos.
Mapa do Aluguel
O valor do metro quadrado em São Paulo
Mapeamos 38 bairros das cinco zonas de São Paulo para saber qual é o metro quadrado mais caro da capital
O valor médio do metro quadrado na cidade é R$ 21,33, segundo dados do Secovi – Sindicato da Habitação – levantados em novembro de 2018
Tucuruvi, na Zona Norte, é o que mais se aproxima da média municipal, custando R$ 21,20
Já Moema é o bairro com o metro quadrado mais caro de São Paulo, chegando aos R$ 36,95
Interativo
Quanto posso gastar com habitação?
Metodologia
A reportagem usou dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, de 2017/18. Com os primeiros resultados do levantamento, foram filtrados as despesas e os rendimentos por federação, recortando os dados para o Estado de São Paulo.
Segundo o instituto, as entrevistas foram realizadas pessoalmente e resgistradas por computador. Em todo o País, foram 57.920 domicílios entrevistados. São Paulo corresponde a 13% do total, com 4.219.
A POF utiliza de média aritmética para expressar valores monetários. O próprio IBGE ressalta algumas distorções na metodologia, como é exemplicado na página 38. Quando analisado as despesas médias do Brasil (R$ 4.649,03), o "Brasil urbano" fica ligeiramente maior que a média nacional com 7% a mais (R$ 4.985,39). Já o "Brasil rural", tem uma diferença de 45,3% (R$ 2.543,15).
Para evitar grandes distorções, a reportagem optou por analisar categorias mais universais - que, teoricamente, todas as diferentes classes do recorte inicial apresentam despesas -, no caso, habitação.
Por conta de otimização da visualização, no primeiro gráfico, a reportagem agrupou em "Outras", as seguintes categorias: Higiene e cuidados pessoais; Despesas diversas; Diminuição do passivo; Aumento do ativo; Outras despesas correntes; Serviços e taxas.
Mapa da Locação. Para o levantamento dos dados sobre o valor do metro quadrado para aluguel em São Paulo foi utilizado o Secovi, o sindicato da habitação de São Paulo. A instituição realiza pesquisas mensais sobre a variação dos preços na capital, tornando-se uma fonte estável para comparações e análises.
Para a apuração, a reportagem utilizou os últimos valores de 2018. Ainda que pesquisas mais recentes já estivessem disponíveis, os dados da POF-IBGE tem como base o salário mínimo de 2018. Por isso, foi optado pela última pesquisa disponível do Secovi de 2018. O relatório de dezembro de 2018 não constava como publicado no site, logo, novembro de 2018 foi utilizado como base.
Código Aberto
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